Quem está junto abonima a necessidade de relatar todos os passos que dá, quem está sozinho abomina não ter ninguém para se justificar e/ou desabafar. Uns vociferam à comodidade, outros discutem com a instabilidade. Os juntos tratam mal a rotina, os outros desejam-na.
Quem está junto tende a relacionar-se com os amigos na mesma condição. Iniciam-se, obrigatoriamente, os jantares com “casais” (sempre quis escrever esta palavra!) e, obrigatoriamente de novo, falar mal dos outros a caminho de casa; acaba por ser uma fórmula simples de alivar a tensão e não falarem de si próprios. Já quem está sozinho só se relaciona entre pares, não há cá espaço para fazer “ de vela” (também gosto muito desta).
Quem está junto deixa de saber mentir - até porque está afastado de quem o safe -, quem está sozinho pode mentir a seu livre arbítrio – não tem tantas verdades, logo não se confunde. Os juntos procuram aventuras nas suas vidas, os outros estão saturados e denominam-as de desventuras. Os sozinhos procuram qualidades em todos, os outros procuram implicar com os defeitos do seu par. Uns falam mal de si, ou outros desviam este discurso a 90º. Em determinada altura, os juntos entendem ter morrido cedo, já os sozinhos que só vão viver tarde. Uns demoram mais para sair, os outros muito mais para voltar.
Quem está junto vê na relação um filho sem ser planeado, quem está sozinho vê numa relação o planeamento familiar. Uns vão comer a um restaurante, os outros ouvir. Uns já voltavam para casa dos pais, os outros já fugiam dela. A dificuldade que quem está junto tem para ser dono da última palavra, o que sofre quem está sozinho para desbloquear a primeira.
Quem está junto é cão de guarda, os outros são cães de caça. Uns despedem-se com beijos, os outros não se despedem, acenam. Quem está junto é um sozinho egoísta. Quem está sozinho é um junto magnânimo.
Animal Collective - Banshee Beat
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(- Canal aberto!),
lembras-te?
Não me recordo, é essa a minha maior lacuna, a minha grande, porventura gigante, insuficiência. Não me lembro… Tenho um vazio de cinco horas que me preenche toda uma vida. Tenho uma fresta por onde não passa luz por onde se projecta um arco-íris.
Diz a vox populi que tudo o que é bom passa depressa. Permite-me discordar, tudo o que é bom dura uma vida, agrafa-se em nós, tatua-nos a memória, preenche-nos transbordando. Ultrapassa-nos.
Caminho a teu lado. Dizíamos
(- Sorte do caraças…)
o que não queríamos, falávamos aos atropelos, brincávamos com a alegria. Entretanto o tempo, como é seu apanágio, foi caminhando connosco, perscrutando, avaliando, devagar, depressa, escondido ou de surpresa, piscou-nos o olho, ajudou-nos a atravessar deixando-se ficar, passeando… A seu lado, como se te tivessem cortado os fios do pára-quedas
( - Vamos devagar…)
entras tu; tão rápido como suave, aqui. Alternando zéfiros com redemoinhos, fazes de mim teu, do meu espaço nosso, da minha vida uma vida. Encontras-me. Descubro-te.
Há um ano foste tu. E eu, parece-me, mais que eu.
Obrigado.
Dear Tech support,
Last year I upgraded from Boyfriend 5.0 to Husband 1.0 and noticed a distinct slow down in overall system performance, particularly in the flower and jewelry applications, which operated flawlessly under Boyfriend 5.0.
In addition, Husband 1.0 uninstalled many other valuable programs, such as Romance 9.5 and Personal Attention 6.5 and then installed undesirable programs such as NBA 5.0, NFL 3.0 and Golf 4.1.
Conversation 8.0 no longer runs, and Housecleaning 2.6 simply crashes the system. I've tried running Nagging 5.3 to fix these problems, but to no avail.
What can I do?
Signed,
Desperate.
DEAR DESPERATE,
First keep in mind, Boyfriend 5.0 is an Entertainment Package, while
Husband 1.0 is an operating system.
Please enter command: ithoughtyoulovedme.html and try to download Tears 6.2
and don't forget to install the Guilt 3.0 update. If that application Works as designed, Husband 1.0 should then automatically run the applications Jewelry 2.0 and Flowers 3.5.
But remember, overuse of the above application can cause Husband 1.0 to default to Grumpy Silence 2.5, Happy Hour 7.0 or Beer 6.1. Please note that Beer 6.1 is a very bad program that will download the Snoring Loudly Beta.
Whatever you do, DO NOT install Mother- In-Law 1.0 (it runs a virus in the background that will eventually seize control of all your system resources).
Also do not attempt to reinstall Boyfriend 5.0 program. These are unsupported applications and will crash Husband 1.0.
In summary, Husband 1.0 is a great program, but it does have limited memory and cannot learn new applications quickly. You might consider buying additional software to improve memory and performance. We recommend Cooking 3.0 and Hot Lingerie 7.7.
Good Luck,
Tech Support



Alfred Eisenstaedt - 1936 - New York, NY, US
Dancers (ballerinas) at George Balanchine's School of American Ballet during rehearsal.
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"Eu quando for grande quero ser médico, porque a minha avó teve um AVC e eu não quero que aconteça a mais ninguém. e também quero ter nos anos o equipamento completo. Também quero muito, muito, mas mesmo muito que a minha avó melhore do AVC. E também quero que os meus primos vão lá a casa!"
O Altruísta - 8 anos - 3º ano.
"Eu gostava de tocar: violino, viola, piano eléctrico, bateria e guitarra. Esses instrumentos são fabulosos. Também gostava de ser professora de pintura quando fosse grande. Áh! e gostava que a minha família fosse feliz e tivesse dinheiro que chegasse para comprar tuuuuudo!"
A Artista - 8 anos - 3º ano
"Gostava de ser médica, porque a médica trata das pessoas, ajuda os doentes e a minha mãe disse-me que também se ganha muito (dinheiro). Gostava de poder estar sempre na Madeira, que os meus amigos, e o meu professor também, que a minha escola e os meus pais estivessem na Madeira. Gostaria que o Simão voltasse para a nossa escola... Gostava de continuar a ser a melhor aluna. Gostava que a minha família tivesse saúde."
A Objectiva - 8 anos - 3º ano
"Eu no futuro queria ser um jogador de futebol para jogar no Manchester United, para estar ao pé do Cristiano Ronaldo, do Nani e do Tevez. Eu queria ser um homem aranha para lutar contra o mal e salvar as pessoas dos perigos e salvar o mundo."
O Super-herói - 8 anos - 3º ano
"Eu gostava que o meu primeiro gato Tótó voltasse para a minha quinta em Torres Novas.
Também gostava que o meu professor vivesse feliz para sempre. Eu gostava de ser médica, pediatra, veterinária e professora. Eu e a minha mãe gostávamos de ser pintoras! Eu gostava de ir para concursos de slatos com o meu pónei. E também gostava de ir com a minha cadela Skippy. Gostava de ser uma menina com bom coração e continuar a ajudar os meninos pobres"
A Tia - 8 anos - 3º ano
"O meu sonho era andar no Parkur a fazer muitos saltos nas paredes e nos prédios altos daqueles muito perigosos para ganhar a taça dos saltos. O meu sonho também era andar nas corridas de motas para ganhar a taça mundial. O meu sonho também era andar de carro, quando fosse grande escusava de andar a pé e se fosse às comprar podia pôr as compras no carro, escusava de chamar um táxi para me levar para casa. E escusava de levar dinheiro..."
A Maria rapaz - 9 anos - 3º ano
"Eu gostava de ser jogador de futebol - porque eu sei jogar futebol. E quero ser tractorista, porque eu sei conduzir tractores porque o meu pai ensinou-me. Eu gostava que o Miguel fosse a minha casa para brincar com ele futebol e ouvir música. Eu gostava que a minha família fosse boa..."
O Estrangeiro - 9 anos - 3º ano
"Eu gostava de ser jogador de Râguebi e de futebol. Que os meus três cães, que agora tenho seis, não morressem. E, que no futuro, estivessem vivos. Que os meus pais tivessem vida eterna e, ao mesmo tempo, conseguir ver o espaço que eu acho, e muitas pessoas, lindíssimo. Guiar um Porshe Cayenne Turbo, um Mercedes, um Monster, o jipe melhor do mundo. ter imensas metralhas, granadas e ser o 007."
O James Bond - 9 anos - 4º ano
"Eu quando for grande queria que a minha família tivesse com saúde e viva, gostava também de ser muito feliz. Adorava conhecer outros países. Gostava muito de ter os mesmos amigos, ou ainda ter mais. Gostava muito de ter um irmão ou irmã bebé e também gostava que a minha prima Leonor (que é bebé) nunca mais crescesse. Gostava mesmo muito, muito, muito de ter um gato e também conhecer os meus primos (as) de França."
A Babysitter - 9 anos - 4º ano
"O meu sonho é sair do Lar. Queria que a minha mãe e o meu pai saíssem da prisão. Gostava de viver com eles numa casa. Assim podia ir à rua com eles passear e brincar. Quando fosse mais velho gostava de voltar a ver os meus amigos. Eu quando for grande quero ser polícia. E por fim gostava de ver os meus cães, mas aquele que eu queria ver mais era a huskkie."
O Amputado - 11 anos - 4º ano
"No futuro adorava ver uma nebulosa para a explorar, um buraco negro, uma galáxia, que inventassem óculos para ver o Sol do espaço, juntamente com uma sonda que suportasse altos graus célsios. Sempre quis num futuro próximo inventar algo para eu e os outros astronautas visitarmos os planetas, como: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno. Que Plutão fosse, de novo, considerado um planeta e ver outras galáxias longínquas. Ser arqueólogo ia ser fantástico, porque podia encontrar ossos de: dinossauros, semilodon ou tigre-dentes-de-sabre, megonthereon, maschairadus, mamute bisonte e de outras espécies de há milhões de anos e estudar: a vida marinha, o corpo humano e catástrofes naturais."
O Cientista - 9 anos - 4º ano
"O meu primeiro sonho era, no futuro, ser estilista de moda. Ia fazer vários vestidos, saias e calças. O meu segundo sonho era ir aos Estados Unidos ter com aminha madrinha e o meu padrinho. O meu último soinho era que o meu cão Hanuc voltasse."
A Gaja - 9 anos - 3º ano
- Diz, João ( - questionava a D. Berta)
E esse momento era de tamanha importância para nós, fedelhos. Quando percebemos ainda muito poucas coisas, a coisa mais importante é ouvirmos o nosso nome. Depois, em adultos, há pessoas que só se interessam por determinadas conversas assim que ouvem o seu nome ( - é um extraordinário exercício, este!). E o interesse de uma conversa (seja ela qual for) não passa (nunca) por reduzi-la a um nome. Mas, como em tudo na vida, quanto mais se explicam as coisas, mais confundimos as pessoas. Importa também frisar que existem espaços e, sobretudo, tempos próprios para explicações, senão vejamos, como se esclarecem dúvidas num relacionamento ao fim do dia, ou à noite? Erram-se as respostas, depois tenta-se acertá-las, corrigi-las e, nessa altura, estamos perfeitamente atrapalhados com as palavras ditas. Invariavelmente, confessamos que as dissemos sem pensar e, aí, nessa mesma altura, passamos de vítima a tiranos. Será uma das razões do, actual, fracasso dos casamentos? Será que decorrem das más horas e do deficiente uso das palavras, ainda que com boas intenções? Porque, diga-se, extorquir um pedido de desculpas não é tarefa fácil e, sem estas, esgotam-se as possibilidades de acabar uma discussão de forma elevada. Depois? Depois já só resta o cinismo ou o pranto.
Eu acho que amo quando não preciso de (me) explicar.
Acho mesmo que amo para não ter de me explicar.
Depois, no escuro, é difícil caminhar no breu. Torna-se insuficiente calcorrear caminhos sozinho. Tornamo-nos pobres à força de pensar nas coisas única e exclusivamente por nossa conta, limitamo-nos gravemente à nossa perpectiva. Estar sozinho pode tornar-se uma coisa terrivelmente depressiva.
Já para aqui tinha dito que sou muito precavido?
PHILIP ROTH :: A Mancha Humana :: Dom Quixote
(...) Oh, juventude, juventude! não te preocupas com nada, parece que todos os tesouros do universo te pertencem, a própria tristeza te é aprazível, a própria angústia te fica bem, és convencida e atrevida, dizes: só eu vivo, olhai... mas os dias correm e desaparecem sem deixar rasto, perdendo-se-lhes a conta, e tudo o que tinhas desaparece como a cera do sol, como a neve... E talvez o enigma do teu encanto não seja o de conseguires tudo mas a possibilidade de pensares que consegues tudo - consiste precisamente em lançares ao vento as forças que não saberias aproveitar; consiste em que cada um de nós se considera, sem ironia, um esbanjador de tempo, e acha, a sério, que tem o direito de dizer: oh, o que eu conseguiria se não tivesse perdido o tempo em vão! (...)
IVAN TURGUÉNEV :: O Primeiro Amor :: Relógio de Água
(...) - Até certo ponto, deve ser inato. Neste caso, acho que podemos mesmo falar em talento. Algumas pessoas são desenrascadas; outras são desastradas até dizer chega... Há pessoas atentas e outras completamente despistadas. Não achas?
Voltei a fazer que sim com a cabeça.
- Pronto, agora imagina o seguinte. Supõe que vais fazer uma longa viagem de carro com outra pessoa qualquer, e que vão conduzir por turnos. Nesse caso, que tipo de pessoa é que escolherias? Uma que guiasse bem, mas que fosse imprudente, ou uma que não guiasse tão bem, mas que fosse prudente?
- A segunda, provavelmente - respondi eu.
- Também eu - retorquiu ela - Temos aqui uma situação muito parecida. Ser bom ou mau, ser despachado ou desajeitado, isso são coisas de somenos. Na minha opinião, o que é importante é estar atento. Ficar calmo, estar atento ao que se passa à nossa volta.
- Atento? - repeti eu.
Ela não respondeu e limitou-se a sorrir. (...)
HARUKI MURAKAMI :: Sputnik, meu amor :: |||casadasletras
quero-te
Faz-me muito sentido isto
















